quinta-feira, fevereiro 2

Espelho quebrado

Tudo começa quando a admiração torna-se desprezo 
Aos poucos os espaços vão sendo preenchidos por desencantos e desgastes aparentemente naturais e que inevitavelmente se revelam insuportáveis.

De repente nos vemos presas num sentimento de inquietação, mas aparentemente suportável pelo acomodamento. Nos olhamos no espelho e não nos enxergamos mais, a
 imagem que passa a ser refletida mostra-se desfigurada, distorcida e marcada pelas rugas das mágoas, das insatisfações, das agressões verbais, dos ressentimentos e do ódio inconsciente, que tenta invadir o nosso coração.

A partir daí, torna-se impossível encontrar aquele fio de esperança capaz de recompor a harmonia, a paz, a compreensão, a cumplicidade, o respeito as individualidades, o carinho e o amor

Chega-se, infelizmente ao ponto em que o espelho não se cola mais. Percebe-se então que, ao longo dessa viagem, tivemos como companheiros inseparáveis nossos fieis amigos: o silêncio e a solidão. 

É fato também que a trinca causada no espelho da nossa alma, por menor que seja, torna-o incapaz de refletir a nossa imagem com o brilho da paz, da felicidade e do amor.

Ainda mais triste é saber que isso não é aceito.

Por mais que lutemos, nossas mentes não respondem aos apelos da alma. Nossas mãos aliam-se aos nossos corações mas não conseguem redesenhar o futuro. O traços são meros rabiscos imperfeitos, disformes, desfigurados e desencontrados...

                                                                                                                                                        Edna Oliveira