quinta-feira, agosto 23

Devaneios



Ontem o sono demorou a vir, rolei-me na cama em busca de uma resposta. O coração batia acelerado, o silêncio era tão grande no escuro da noite que até dava pra ouvir o som que vinha do tic-tac do relógio.
As horas não passavam, e embora eu estive-se com bastante sono, aquela triste sensação torturava-me em continuar.
Olhava pro lado e via a doce possibilidade de dormir, mas meus pensamentos eram torturantes.
Pensava no homem, na humanidade, no ser, em mim, na vida, e quanto mais eu pensava, mais era desesperador saber que eu faço parte de tudo. 
Ora, eu não queria acreditar, mas a verdade insistia em cutucar-me toda a hora.
Talvez, o que tinha visto mais cedo não era de fato tão merecedor da minha tamanha preocupação, mas o que pesava-me era o fato da dualidade do ser, em ser divido entre o bem e o mal, o branco e o escuro, a luz e as trevas. 
Para muitos aquilo podia ser considerado um mero devaneio, mas para mim, era desesperador saber que eu fazia parte de tudo, que minhas esperanças e vontades de mudar o mundo de nada adiantariam, porque enquanto existir vida, tudo será exatamente igual.
Lembrei-me também dos filósofos, que ousaram em pensar sobre a humanidade, sugeriram filÓsofias e mudanças, e como resultado? não obtiveram resultado algum.
Depois, ali na solidão da madrugada, fui percebendo que o sono vinha chegando, meus olhos iam se fechando, e eu tive a conclusão de que meus vãos pensamentos de nada me adiantariam.
Edna Amorim